Servidores da saúde que trabalham no Hospital de Urgência de Teresina, que estão em greve desde o último dia 30 de abril, fizeram uma manifestação nesta manhã de segunda-feira (04/05) em frente à unidade de saúde, na zona Sul da capital.
No SAME (Serviços de Arquivo Médico e Estatístico), apenas 30% do atendimento está sendo mantido.
O grupo de trabalhadores pleiteia o reajuste de 55,7%. A greve geral atinge ainda o magistério, discais da Strans, e agora está sendo feita a escada de enfermeiros, químicos e administrativos que podem aderir à greve. Os servidores reclamam ainda o assédio moral a que são submetidos, e querem a regularização do pagamento de auxílio transporte e alimentação.
Em conversa com o 180, a presidente do Sindicato dos Servidores, Letícia Campos, explicou sobre o apelo em que os profissionais fazem para a prefeitura em busca de seus direitos.
"Nós estamos em campanha salarial reivindicando um reajuste de 55,7%. Tentamos várias negociações com a Prefeitura e não houve sequer o envio da mensagem ou então de qual que seria o índice de reajuste que a prefeitura estaria disposta a negociar. Hoje temos servidores que nível administrativo recebendo R$ 652,00 como vencimento básico e isso acontece também com técnico de laboratório. Depois de inúmeras tentativas a categoria resolveu deflagrar greve. Hoje nós estamos na frente do HUT em uma greve geral, que tem a adesão do magistério, dos fiscais de transportes da Strans, de diversos setores da saúde. Estamos nesse exato momento, inclusive, fazendo a escala da enfermagem, além do pessoal do laboratório, dos químicos e dos administrativos. O que a categoria reivindica são melhores condições de trabalho, fim do assédio moral, o auxílio de transporte e alimentação, e o reajuste salarial."

A servidora do setor laboratório Clotildes Moraes, lamenta a crise em que vive o país, e diz que com o baixo salário e as péssimas condições de trabalho, está cada dia mais difícil de sobreviver.
"Nós ainda estamos encontrando resistência por que o meu setor específico, que é o de laboratório, nunca grevou por conta de uma gestão opressora que existe neste hospital. Nunca tivemos esse direito de greve, toda manifestação sempre foi reprimida com muita força. Mas agora nós estamos tentando, apesar da resistência, encontrar uma maneira de exercer o nosso direito de greve, porque nós estamos com o nosso salário defasado, nossas condições de trabalho estão péssimas, um salário de R$ 652,00 é uma coisa ridícula, para não dizer inacreditável”, lamenta.
O assédio moral também é um problema para a categoria. “Nós damos o sangue por este trabalho, e recebemos menos que um salário mínimo. Então, nós lutamos por melhores condições de trabalho porque sofremos muito aqui. Adoecemos não só fisicamente, como psicologicamente com essas péssimas condições de trabalho e um salário incompatível. Com R$ 652,00 para viver, vestir, comer, sustentar uma família é impossível".
Via 180graus