Prefeito cassado vai gastar mais de R$ 5 milhões em obra de esgoto sanitário

Uma obra de esgotamento sanitário na cidade de Marcos Parente (PI), a 348 km de Teresina, estaria custando aos cofres públicos o valor de R$ 5.284,037,00 (cinco milhões, duzentos e oitenta e quatro mil e trinta e sete reais).
A cidade é administrada pelo prefeito Manoel Emídio de Oliveira, que foi cassado no final de março pelo TRE-PI. Ele continua no cargo até a posse do segundo colocado, que aguarda os prazos para assumir.
ENTENDA O CASO
O gestor teria contratado em 2012 a empresa Érica Construções Ltda, para a construção do esgotamento sanitário pelo valor de R$ 2.463.703,60 (Dois milhões, quatrocentos e sessenta e três mil, setecentos e três reais e sessenta centavos).
Segundo a denúncia, todo esse valor não teria sido o suficiente para terminar a obra no pequeno município de Marcos Parente e em 2014 o gestor teria voltado a contratar a mesma empresa pelo valor de R$ 2.820.334,11 (Dois milhões e oitocentos e vinte mil e trezentos e trinta e quatro reais e onze centavos).
MORTES NA OBRA
No ano de 2013, a cidade toda ficou de luto com o soterramento de dois jovens marcoenses que morreram na obra. José Cassiano Dias Lopes e Ozireno Miranda de Araújo morreram quando estavam trabalhando supostamente sem os equipamentos de segurança, como os escoramentos laterais que teriam evitado a tragédia.
CONTRATOS DE LICITAÇÃO43.jpg44.jpg
INVESTIMENTOS NO ESTADOAs obras em esgotamento sanitário não acontece só em Marcos Parente, mas em muitas cidades do Piauí, segundo informações da Codevasf. Ao todo, cerca de R$ 41 milhões serão investidos na execução de ligações intradomiciliares e módulos domiciliares de sistemas de esgotamento sanitário em 14 municípios piauienses. A ação está proposta no termo de compromisso assinado entre a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e o Governo do Estado do Piauí, com interveniência da Agespisa (Águas e Esgotos do Piauí S/A). A próxima etapa consiste na contratação de empresa de engenharia para efetuar as obras. O edital de licitação foi publicado neste mês de janeiro. Ao todo, serão executadas cerca de 26 mil ligações intradomiciliares, que é o conjunto de tubos, peças, conexões e dispositivos compreendidos entre o alinhamento predial e o interior da edificação, e 6.745 módulos sanitários domiciliares, constituídos de banheiro externo construído em alvenaria de tijolo com vaso sanitário, caixa de água, chuveiro e pia. Com isso, serão atendidas em torno de 110 mil pessoas nos municípios de Ilha Grande, Porto, Murici dos Portelas, Guadalupe, União, Amarante, Madeiro, Joça Marques, Luzilândia, Santa Filomena, Ribeiro Gonçalves, Uruçuí, Oeiras e Floriano. As famílias beneficiadas estão incluídas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico).
VALORES ALTOS
Mas o que chama a atenção na licitação de Marcos Parente é o alto valor. Entenda. A execução das obras será dividida por lotes. Conforme explica o engenheiro civil da Agespisa José Elias Brito, cada um desses lotes contempla um número determinado de municípios, que foram agrupados segundo critérios de proximidade, a fim de otimizar o trabalho. No lote 1, estão os municípios de Oeiras, Floriano, Amarante e Santa Filomena, que terão investimentos da ordem de R$ 16,6 milhões. Já o lote 2 reúne Guadalupe, Uruçuí e Ribeiro Gonçalves, com recursos de R$ 9,3 milhões. Ilha Grande, Murici dos Portelas, Luzilândia, Madeiro e Joca Marques compõem o lote 3, com valor de R$ 8 milhões. O lote 4, por sua vez, engloba União e Porto, com investimento de R$ 6,9 milhões.
ENTÃO...
Logo, pelo média de preço aplicado em cada cidade e comparado com o valor da licitação em Marcos Parente, percebe-se que os mais de R$ 5 milhões da obra, estão, no mínimo, acima do investido nas outras cidades, que tem mais ou menos as mesmas características e dimensões geográficas.
Fonte: 180graus
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